Corte na produção do bitcoin vai abalar mercado de criptomoedas em 2020

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Bitcoin, a mais famosa, foi a que teve maior valorização desde 2018 FOTO: DREAMSTIME

LONDRES (Reuters) – Se você não é um entusiasta do bitcoin, provavelmente não sabe o que acontecerá no próximo ano: o chamado “halving”, que reduzirá a produção da criptomoeda pela metade.

Ninguém controla este processo. É uma regra escrita no código do bitcoin pelo seu suposto criador, Satoshi Nakamoto, há mais de uma década.

O evento, previsto para maio de 2020, reduzirá pela metade o número de novas moedas de bitcoin produzidas pelos mineradores, que usam equipamentos especializados para resolver complexos quebra-cabeças matemáticos. A solução destes problemas gera moedas de bitcoins.

Essa é uma grande mudança em um mercado que vale cerca de US$ 120 bilhões, no qual bilhões de dólares em bitcoins são criados a cada ano.

Grupos conhecidos estão se preparando para as acentuadas altas do preço e da volatilidade que costumam acompanhar os “halvings”, efeito que ocorre aproximadamente a cada quatro anos para garantir a escassez de bitcoins e segurar a inflação.

É provável que haja vencedores e perdedores. Assim, os agentes do mercado, como mineradores e operadores de bitcoins, estão tentando entender como o próximo halving se desdobrará para conseguirem uma vantagem.

“Esta é a maior questão agora para a maior parte da indústria”, disse Eyal Avramovich, presidente-executivo da MineBest, uma empresa sediada em Varsóvia que minera bitcoin.

A queda na produção de bitcoin reforça uma das razões pelas quais a moeda digital descentralizada confunde a regulamentação e a aceitação do mercado financeiro tradicional: seu destino permanece ligado a fatores tecnológicos arcanos.

Em teoria, se a oferta é cortada e a demanda permanece constante, os preços deveriam subir. Desta vez, sete operadores e mineradores entrevistados pela Reuters disseram que o halving de maio provavelmente levará a uma maior volatilidade e volume de negociação. No entanto, o corte no fornecimento está mais precificado que os anteriores, disseram eles, com muitos operadores já preparados para o evento.

Nos períodos de um ano após os dois halvings anteriores, em novembro de 2012 e julho de 2016, o bitcoin subiu cerca de 80 vezes e quatro vezes, respectivamente. Não está claro o quanto dessas altas podem ser atribuídas aos halvings, em comparação com outros fatores.

Desta vez, os mercados de derivativos de bitcoin – ainda em seu início – apontam para uma maior volatilidade no período do halving, disse Jeff Dorman, da Arca, uma empresa de investimentos em criptmoedas dos EUA.

“Para nós, o evento será positivo porque causa atividade no mercado”, disse Ha Duong, da Cambrial, um investidor de criptomoedas de Berlim.

Mas para os mineradores que possuem grandes estoques de bitcoin, a volatilidade também pode ser um obstáculo. Para eles, a estabilidade de preços oferece maior previsibilidade para investimentos em novos equipamentos de mineração.

Embora os contratos futuros de bitcoin permitam que os mineradores se protejam do risco, atualmente existem poucas ferramentas para se proteger adequadamente da volatilidade, disse Ricky Li, co-fundador da Altonomy, corretora de criptomoedas.

“Se você deseja uma volatilidade de longo prazo, os contratos de opções disponíveis no mercado atualmente não têm esse prazo”, afirmou.

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