Profissionais do mercado dizem o que não indicam e por qual razão você não deve colocar seu dinheiro nessas aplicações

É missão do Valor Investe ajudar você a organizar as contas e a fazer seu dinheiro render mais. Diante disso, não poderíamos deixar de elencar as aplicações que trazem menos vantagens para o investidor. Conversamos com dois especialistas para descobrir o que eles consideram os piores investimentos.

Sócio-fundador do Mais Retorno, plataforma de investimento e educação financeira, Felipe Medeiros, os cinco investimentos listados abaixo são cilada. O especialista em finanças e professor Rodrigo Padilha concorda e explica porque o investidor deve fugir deles. Confira os argumentos dos dois e não durma no ponto.

1. Fundos de prêmios

Os fundos de prêmios normalmente possuem baixa rentabilidade e um atrativo: a promessa de prêmios, como carro, moto e geladeira. Desconfie de tudo que soar como gratuidade. A dica é pedir para ver a rentabilidade do fundo comparada a outros produtos de renda fixa. Quando o processo é transparente, os números não mentem.

Mas se o seu fraco for um brinde, pense da seguinte forma: é melhor “ganhar” um produto qualquer do banco ou escolher qual marca e modelo você quer e comprar com o dinheiro que rendeu na aplicação?

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Felipe Medeiros, sócio-fundador do Mais Retorno: “No mercado financeiro não existe nada de graça. É você mesmo que vai pagar por esses bens e, no fim, quem vai ganhar dinheiro são as próprias instituições financeiras. O retorno desse investimento é mínimo para o usuário, que deixa o dinheiro parado ao invés de rentabilizá-lo em outro ativo à espera de um prêmio que pode nem ganhar. Por isso, tenha sempre em mente: investimento bom é aquele que dá retorno!”.

Rodrigo Padilha, especialista em finanças: “É uma especie de competição e, como qualquer competição, nem todos ganham. Geralmente a maioria perde. No mercado de ações, por exemplo, há um controle maior do dinheiro investido pois por meio da análise dos números da empresa que se pretende investir consegue se constatar a solidez do seu próprio investimento e não ficar dependendo de sorte para que se tenha sucesso no mercado financeiro.”

2. Títulos de capitalização

Queridinho dos bancos e condenado pelos especialistas em finanças pessoais, esse produto financeiro é uma verdadeira armadilha para os indisciplinados. Assim como os fundos de prêmios, é conhecido pelos sorteios e costuma ser uma alternativa para quem não consegue juntar dinheiro, mas é bom em pagar boletos. Mas a rentabilidade geralmente é pior que a poupança. Em alguns casos, sequer paga a inflação. Em outras palavras: perde-se dinheiro.

Felipe Medeiros, sócio-fundador do Mais Retorno: “No título de capitalização, a pessoa também investe em algo que dá um retorno que mal paga a inflação do período em troca da promessa de prêmios grandes, como carros, casas e viagens. Investimento e prêmio não tem nenhuma relação. É preciso investir pensando no retorno que vai dar para seu dinheiro. Se deseja tanto esses bens, há inúmeras alternativas em que você pode aplicar e, posteriormente, adquirir o que você tanto deseja. Além disso, se resgatar esse dinheiro antes do período determinado, corre-se o risco de perder parte do que foi realmente investido”, afirma.

Rodrigo Padilha, especialista em finanças: “Esse é um dos principais produtos oferecidos por gerentes de bancos. Ocorre que apenas uma quantia do valor pago mensalmente é rentabilizado, o restante é diluído entre taxa de administração e cota de sorteio, o que impede qualquer esperança de bons números nesse tipo de investimento. Como se não bastasse, esse percentual rentabilizado possui taxas parecidas com a caderneta de poupança, estando exposto ao risco de corrosão inflacionária.”

3. Caderneta de poupança

No tempo das nossas avós, a caderneta de poupança era um ótimo investimento. Seguro, sem imposto e rentável. Sim, ela costumava ser rentável. Mas hoje a realidade é outra. A poupança perde para a maioria das aplicações conservadoras de renda fixa. No ano passado, por exemplo, ela só rendeu 0,87% acima da inflação. O ganho real, “economês” para rendimentos menos inflação, tem sido menor que 1% ao ano.

Felipe Medeiros, sócio-fundador do Mais Retorno: “A poupança não possui um bom rendimento nem mesmo com isenção do Imposto de Renda. O investimento em um bom CDB, mesmo pagando taxa de imposto, rende mais! Além disso, se você resgatar o dinheiro antes de trinta dias, não vai ganhar nenhum centavo a mais”, avalia Medeiros.

Rodrigo Padilha, especialista em finanças: “Quando a pessoa vê a rentabilidade de um investimento, não deve levar em conta o valor que está escrito sem antes descontar a inflação. Nos últimos 21 anos a poupança rendeu menos que a inflação 69 vezes. Isso quer dizer que seu dinheiro rendeu menos que o reajuste dos preços dos bens e serviços. Se hoje a pessoa tem R$ 1.000 para comprar determinada marca de TV, e decide, ao invés de efetuar a compra, colocar o dinheiro na poupança, as chances são que, em 5 anos ele não conseguirá comprar a mesma TV com o dinheiro investido, pois o dinheiro dela sofreu a corrosão inflacionária.”

Se você quer um rendimento isento de imposto de renda, escolha uma LCI ou LCA com pelo menos 80% do CDI e boa liquidez para que você possar retirar o dinheiro da aplicação com facilidade, sem esperar muito tempo. Confira aqui outros 5 investimentos livres de IR.

4. Consórcios

Os consórcios acabam sendo uma maneira de algumas pessoas comprarem um bem de alto custo, como carro ou casa. Ele está mais para financiamento do que para investimento. Em geral, eles têm apelo entre pessoas que têm dificuldades para juntar dinheiro e precisam de compromissos em forma de boleto para quitar e comprar algo de maior valor. Mas acaba saindo mais caro que outros tipos de crédito porque têm mais taxas. A repórter Weruska Goeking, do Valor Investe, explica ponto a ponto porquê consórcio é a pior aplicação que você pode fazer.

Felipe Medeiros, sócio-fundador do Mais Retorno: “Os consórcios são opções interessantes para quem deseja adquirir algum bem, como carro ou imóvel, e não possui os fundos necessários para isso. Contudo, essa possibilidade não faz dele um tipo de investimento. Lembre-se: quando você investe em algo, é preciso ter um retorno financeiro em cima disso. O consórcio, na verdade, vai consumir seus aportes até quitar o valor total. Assim, querer investir em consórcio já é um erro! Invista em investimentos de verdade, que vão proporcionar um retorno vantajoso.”

Rodrigo Padilha, especialista em finanças: “Consórcio não é investimento propriamente dito, é uma forma de autofinanciamento para poder comprar algo por meio de grupos, onde todos depositam regularmente certa quantia. Ninguém te paga rendimento sobre o valor que você está aplicando. É bom esclarecer um dos principais argumentos de quem vende consórcios: ‘quando você faz consórcio não paga juros’. É verdade. Não paga juros, mas paga uma alta taxa de administração, que corrói o valor depositado e ainda não ganha juros (rentabilidade) que poderia estar ganhando se depositasse esse dinheiro em algum CDB, LCI, LCA ou renda fixa similares. “

5. Previdência Privada

De todas as aplicações faladas neste texto, a previdência privada é a mais controversa se realmente vale ou não a pena. Uma das vantagens de planos de previdência privada do tipo PGBL são os descontos do valor investido no imposto de renda. É possível abater até 12% do valor devido em imposto de renda. Só que o benefício só vale para quem entrega a declaração completa, não vale para a forma simplificada. Sem falar que há outras aplicações com rendimentos maiores ou equivalentes que não cobram tantas taxas.

Felipe Medeiros, sócio-fundador do Mais Retorno: “É bom deixar claro que não são todos os planos de previdências privadas que são ruins. Eles podem ser uma opção interessante de investimento, com um bom retorno, principalmente os oferecidos por instituições independentes, como corretoras. Entretanto, os planos mais tradicionais, normalmente oferecidos por grandes bancos, são cheios de taxas e oferecem um rendimento pífio. Portanto, na hora de investir, pesquise bem para escolher a melhor previdência.”

Rodrigo Padilha, especialista em finanças: “É importante ficar atento que apesar de seguro, há riscos sim nessa modalidade de investimento, pois há possibilidade de perder todo o dinheiro investido se a empresa de previdência complementar falir e for reconhecida a inviabilidade de recuperação da mesma.”

FONTE

https://valorinveste.globo.com/objetivo/hora-de-investir/noticia/2019/07/30/especialistas-listam-os-5-piores-investimentos.ghtml

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